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ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO


A importância das campanhas de prevenção às drogas

Por Giovanni Quaglia

Artigo publicado no Jornal do Brasil, em setembro de 2003

O consumo de drogas lícitas e ilícitas é um dos maiores desafios da sociedade contemporânea. O Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) calcula que aproximadamente 200 milhões de pessoas usam drogas ilícitas em todo o mundo, o que representa 5% da população mundial acima de 15 anos. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de tabaco e álcool é estimado, respectivamente, em 30% e 50% da população nessa faixa etária. São números que dão uma boa dimensão do problema.

Os custos sociais, políticos, econômicos e de saúde associados às drogas afetam a vida de todos nós. A epidemia de Aids, mortes prematuras e a violência do narcotráfico são apenas alguns desses efeitos. E apesar das diferentes abordagens do problema, todos concordam que as respostas passam necessariamente pela mobilização da opinião pública. Neste sentido, as campanhas de conscientização têm o papel fundamental de alertar a população sobre o problema das drogas, divulgar informações precisas para diferentes públicos e evitar a banalização do uso de substâncias como maconha e ecstasy. Elas precisam ser estrategicamente planejadas e criadas a partir de pesquisas que identifiquem mensagens necessárias para cada público.

O conceito de campanha deve ser entendido em uma perspectiva ampla, pois podem ser divulgadas em diferentes mídias. Num padrão publicitário profissional, as campanhas envolvem personalidades públicas conhecidas e têm um acabamento visual irretocável. Elas têm como alvo um público diversificado que precisa ser alertado e conscientizado sobre o problema das drogas. As personalidades ajudam a conquistar a opinião pública, especialmente os jovens.

Mas as campanhas também podem ser produzidas em menor escala, para públicos mais específicos e sem a participação de pessoas famosas. Elas têm como objetivo ensinar os pais a lidar e falar com seus filhos sobre o problema das drogas, informar os jovens sobre a questão e sobre onde obter ajuda, reduzir os riscos e os danos de usuários de drogas e mobilizar uma comunidade específica em torno da questão. Neste caso, uma estratégia eficiente é usar boas práticas e casos locais de sucesso, o que ajuda o processo de identificação do público-alvo com a mensagem enviada.

Muitos são os exemplos de campanhas bem-sucedidas, mas vou citar apenas um. Nos Estados Unidos, onde existe uma boa metodologia para avaliar o impacto de ações preventivas, uma campanha maciça de conscientização sobre o uso de drogas ilícitas foi iniciada em 1997 por uma parceria entre o governo, ONGs e setor privado. O objetivo de reduzir o consumo dessas substâncias já está sendo notado. Apesar de o país continuar sendo o maior mercado consumidor de cocaína no mundo, pesquisas domiciliares feitas em 2001 mostraram que 1,9% da população acima de 12 anos consumiu a droga ao longo do ano 2000. Isso representou um decréscimo de 25% em relação ao consumo médio registrado nos anos 90. Na população escolar, o consumo de cocaína foi estimado em 5%, em 2002, significando uma queda em relação aos 6,2% registrados em 1999.

Não devemos, entretanto, esperar das campanhas mais do que elas podem fazer. Sozinhas, são insuficientes para reduzir o problema das drogas. Mas devem sempre integrar uma estratégia multidisciplinar de prevenção, atenção integral e reinserção social para usuários de drogas. O fato de o consumo de drogas ilegais estar limitado a 5% da população mundial acima de 15 anos funciona como um motivador para novas campanhas, que poderão colaborar para que os 95% restantes não se tornem usuários dessas substâncias.



Giovanni Quaglia é o representante regional do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) para o Brasil e o Cone Sul (Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai). Antes, foi Chefe das Operações na sede do UNODC, em Viena, e representante do mesmo escritório no Paquistão, Afeganistão, Irã, Brasil e Bolívia.



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