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ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
A prevenção às drogas no mundo do trabalho no Brasil e no Cone SulPor Giovanni Quaglia Discurso de abertura do Seminário Internacional Cone Sul - Prevenção às drogas no mundo do trabalho, no dia 09/07/2004 · Excelentíssimo Sr. Secretário Nacional Antidrogas, General Paulo Roberto Uchôa. · Excelentíssimo Sr. Superintendente Regional do SESI do Rio Grande do Sul, Edison Danilo Lisboa. · Excelentíssimo Secretária Geral da Junta Nacional de Drogas do Uruguai, Dra. Raquel Magri. · Excelentíssimo Sr. Representante da SEDRONAR, da Argentina, Wilburn Grimson. · Excelentíssima Sra. Representante do CONACE, do Chile, Olga Figueroa. · Sra. Gerente da Unidade Estratégia de Desenvolvimento Humano do SESI do Rio Grande do Sul, Leda Ribeiro Pereira. · Prezados representantes da SODECAR, da Empresa Portuária Valparaíso, da ANDE e do Curtume Branáa, nossos novos parceiros na prevenção das drogas no mundo do trabalho. · Prezados representantes das empresas RANDON, STEMAC, SEMAE e WEATHERFORD, que serão homenageadas nesta tarde. · Demais participantes deste evento, bom dia. É com muita satisfação que estamos reunidos aqui hoje para debater a prevenção das drogas no mundo do trabalho e premiar um grupo de empresas com o selo Aqui se Pratica Prevenção, concedido pelo SESI do Rio Grande do Sul. Numa sociedade globalizada e competitiva, cada vez mais voltada para a produção de bens e riquezas materiais, é gratificante constatar a dedicação do setor privado à prevenção às drogas no ambiente laboral. Sem dúvidas, é uma iniciativa que deve ser incentivada e premiada. O uso de drogas no ambiente de trabalho é apenas uma faceta de um problema global. Os dados mais recentes do UNODC (Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime) revelam que 185 milhões de pessoas consomem drogas ilícitas no mundo. Isso representa 4,7% da população mundial acima entre 15 anos de idade. Em relação às drogas lícitas, sabemos que o consumo de tabaco atinge 30% da população global acima de 15 anos, e que o uso de bebidas alcoólicas chega a 60% dessa mesma população. Além de prejudicar a saúde dos indivíduos, o consumo dessas substâncias afeta diretamente a competitividade das empresas, assim como a produtividade dos trabalhadores. Os custos das empresas aumentam por causa do uso abusivo de drogas. Basta lembrar que, segundo a Organização Internacional do Trabalho, 40% dos acidentes de trabalho ocorridos nas empresas estão relacionados com o uso de álcool. As drogas ilícitas geram problemas adicionais que afetam profundamente os indivíduos e a sociedade. De um lado, elas comprometem a saúde, o modo de vida e a segurança dos indivíduos. De outro lado, a relação entre as drogas ilícitas e as atividades do crime organizado (como corrupção e lavagem de dinheiro) geram conflitos para toda a comunidade, enfraquecem os governos e afetam negativamente o desenvolvimento econômico e social das nações. Este diagnóstico não é uma exclusividade dos países em desenvolvimento. O fenômeno das drogas é global e desconhece as fronteiras entre os países. Sua natureza transnacional coloca-o em um patamar além da capacidade de enfrentamento de um único país, seja ele rico ou pobre. A dimensão transnacional do problema das drogas tem sido cada vez mais compreendida e traduzida em um sistema de cooperação internacional altamente sofisticado. O UNODC tem exercido um papel fundamental neste processo. Em 1998, durante uma assembléia especial da ONU para discutir o fenômeno das drogas, os países membros concordaram em enfrentar problema com responsabilidade compartilhada, o que significa uma atuação conjunta de todas as nações, sejam elas produtoras, de trânsito ou consumidoras de drogas. Também concordaram que o problema deve ser abordado de forma balanceada, garantindo a mesma importância para as medidas de prevenção e controle. A Declaração do Milênio, assinada recentemente no âmbito da assembléia geral da ONU, confirma os compromissos assumidos em 1998. A prevenção ao uso de drogas no ambiente de trabalho é uma resposta clara a esses compromissos. Estudos internacionais mostram que os locais de trabalho possuem vantagens comparativas para a aplicação de programas preventivos ao consumo de drogas. Indivíduos com problemas de dependência química tendem a abandonar a família e os amigos e a preservar o emprego, pois precisam dele para conseguir o dinheiro necessário à manutenção do consumo do álcool e de outras drogas. Programas de prevenção voltados para funcionários de uma empresa conseguem atingir as diferentes faixas etárias naquela população. Esta audiência pode ser considerada cativa, com a vantagem adicional de repassar as informações recebidas para seus familiares e amigos. Além disso, a efetividade do ambiente de trabalho se potencializa quando a manutenção do emprego se transforma num forte incentivo para superar a dependência química. O ambiente de trabalho nas fábricas, indústrias e escritórios são uma via efetiva para a aplicação de programas preventivos ao consumo de drogas. Seus objetivos não se resumem aos trabalhadores, mas também às suas famílias e aos seus locais de convívio cotidiano. É importante lembrar que nenhum ambiente de trabalho está imune à dependência química, pois ele espelha, com precisão, a ocorrência do problema na comunidade. Podemos dizer, sem falsa modéstia, que o Brasil e os países do Cone Sul estão enfrentando o uso de drogas no ambiente de trabalho de forma moderna e eficiente. E o UNODC se orgulha de estar participando desse esforço por meio de uma bem-sucedida parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI) do Rio Grande do Sul e com os países do Cone Sul aqui presentes: Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. No Brasil, nossa parceria começou em 1995, por meio do Projeto de Prevenção ao Uso de Drogas no Trabalho e na Família. Formatado a partir de modelos testados e aprovados pelo Sistema ONU em países da América Latina, Europa, África e Ásia, a versão brasileira do projeto já envolve cerca 73 médias e grandes empresas instaladas no Rio Grande do Sul, além de seis escolas. Essas empresas investiram entre US$ 20 mil e US$ 30 mil por um período de 18 meses, beneficiando aproximadamente 65 mil profissionais e cerca de seis mil alunos. Avaliação realizada nas primeiras 30 empresas participantes revela o sucesso dessa iniciativa, que recentemente recebeu o certificado de qualidade ISO 9001. Os resultados do projeto são positivos para os empregados e empregadores. A qualidade de vida do trabalhador melhorou: - Houve uma redução de 16% no número de fumantes;
- O uso de álcool caiu 12% e
- O consumo de drogas ilícitas sofreu uma queda de 53%.
Em relação às empresas, a produtividade delas aumentou: - As faltas por motivo de doença ou incapacitação, que oneram as folhas de pagamento, sofreram uma redução de 10%;
- Os atrasos por parte dos trabalhadores caíram de 7% para 5%;
- Os acidentes de trabalho provocados pelo consumo de drogas lícitas ou ilícitas caíram pela metade.
Agora, essa experiência já está sendo implementada no Cone Sul, mostrando como uma parceria triangular entre Nações Unidas, agências nacionais antidrogas dos países da região e iniciativa privada pode ser bem-sucedida para prevenir as drogas no ambiente de trabalho. Como disse anteriormente, a prevenção às drogas no mundo do trabalho está em linha com sistema multilateral de controle de drogas desenvolvido nas últimas décadas, e que representa um capital político importante para a comunidade internacional. A idéia de responsabilidade social permeia todo este sistema, e as empresas envolvidas neste projeto estão agindo de acordo com este conceito, pois melhoram a qualidade de vida dos seus funcionários. Adicionalmente, elas se beneficiam com o aumento da produtividade. Este projeto permite a mudança de paradigmas ao aliar qualidade de vida com aumento de competitividade. O aperfeiçoamento das condições de trabalho dos empregados promove o desenvolvimento social, pois a qualidade de vida se reflete no ambiente laboral. E os empresários que melhoram o cotidiano dos trabalhadores desenvolvem a comunidade ontem atuam, construindo para suas empresas uma imagem mais adequada à sociedade contemporânea. Sendo assim, quero concluir parabenizando o SESI e as empresas participantes do nosso projeto de prevenção às drogas no mundo laboral pelo excelente trabalho desempenhado até agora. Também quero ressaltar o relevante apoio que estamos recebendo da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) do Brasil, da Secretaría de Programación para la Prevención de la Drogadicción y la Lucha contra el Narcotráfico (SEDRONAR), da Argentina, do Consejo Nacional para el Control de Estupefacientes (CONACE), do Chile, da Secretaría Nacional Antidrogas (SENAD), do Paraguai, e da Junta Nacional de Drogas (JND), do Uruguai. Já com a certeza de que repetiremos no Cone Sul os excelentes resultados alcançados no Brasil, encerro minhas palavras desejando a todos um excelente seminário. Muito obrigado.
Giovanni Quaglia é o representante regional do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) para o Brasil e o Cone Sul (Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai). Antes, foi Chefe das Operações na sede do UNODC, em Viena, e representante do mesmo escritório no Paquistão, Afeganistão, Irã, Brasil e Bolívia.
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