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NOTA PARA A IMPRENSA


CONSUMO DE DROGAS NA EUROPA ESTIMULA
CULTIVO DE CANNABIS NO MARROCOS

Viena, 16 de dezembro de 2003 - A primeira pesquisa sobre o cultivo de cannabis (maconha e haxixe) no Marrocos, realizada pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) em cooperação com o governo marroquino, confirma que o país é o principal produtor mundial de resina de maconha (haxixe). Em 2003, a produção de cannabis no Marrocos foi estimada em 47 mil toneladas, enquanto que a produção potencial de haxixe atingiu 3,08 mil toneladas. Tanto a maconha como o haxixe produzidos a partir das plantações de cannabis são destinados principalmente para o mercado europeu.

O cultivo de maconha em Marrocos está concentrado em cinco províncias da região norte do país. Só a província de Chefchaouen responde por 50% do cultivo e 43% da produção de cannabis. Em seguida vêm as províncias de Taounate (19%) Al Hoceima (17%), Larache e Tetouan.

Ao anunciar os resultados da pesquisa na cidade de Rabbat, Marrocos, o diretor-executivo do UNODC, Antonio Maria Costa, enfatizou a dimensão global da produção de cannabis no Marrocos, os crimes internacionais que ela gera e os riscos à saúde para aqueles que consumem a droga, já que a mesma contém até 20% de substancia ativa THC.

"O Marrocos agiu corajosamente ao expor a extensão do cultivo doméstico de cannabis. Porém, a questão deve ser abordada do ponto de vista de redução da oferta e de redução da demanda. A Europa deve focar seus esforços em ações preventivas que reduzam o consumo de cannabis entre os jovens. A cannabis causa mais danos à saúde que o tabaco. Seus componentes ativos causam paranóia e debilidades cognitivas", disse Antonio Maria Costa.

O diretor-executivo do UNODC atribuiu o aumento da produção de maconha no Marrocos a três fatores: as origens ancestrais dessa atividade, a pobreza no norte do país, que é densamente povoado, e a espetacular expansão do consumo da droga desde 1970.

A dimensão internacional do problema foi também enfatizada pelo diretor-geral da Agência para a Promoção e Desenvolvimento Econômico e Social das Províncias do Norte do Marrocos, Driss Benhima. "O tamanho da área de cultivo revelado pelo relatório é uma evidencia da importância internacional deste fenômeno. Estamos falando de um verdadeiro mercado global de cannabis. Nosso país é afetado por uma atividade que impede o desenvolvimento e cujos fatores de expansão estão fora do nosso controle", disse o funcionário do governo marroquino.

A produção de maconha em Marrocos, como em qualquer lugar no mundo, é uma atividade conduzida por forças de mercado. Os ganhos dos fazendeiros chegam a US$ 214 milhões. Entretanto, apenas o mercado de haxixe é estimado em US$ 12 bilhões. Ou seja: a grande  parte do dinheiro fica com as redes de tráfico que operam na Europa.

Em 2001, a Espanha foi o país que registrou as maiores apreensões globais de haxixe (57% do total mundial e 75% do total europeu). Marrocos foi o terceiro nessa lista, com 7% do total mundial de apreensões. "Os hábitos europeus com relação ao consumo de drogas estão no cerne desta atividade ilegal, que é explicada, mas não justificada pela pobreza da população no norte do Marrocos. Eu saúdo a determinação do governo marroquino de enfrentar esse problema", disse Costa.

O total de cannabis cultivada em 2003 sugere um incremento em relação aos anos anteriores, o que representa um detrimento de outras atividades agrícolas. Este fenômeno da monocultura é perigoso para o ecossistema local, especialmente porque os fazendeiros fazem uso extensivo de fertilizantes e exploram o solo excessivamente. Alem disso, áreas florestais que estão dentro das zonas de cultivo são destruídas para dar lugar às plantações de cannabis, acelerando a erosão do solo.

Veja a seguir alguns pontos de destaque do relatório:

  • A área de cultivo de cannabis nas cinco províncias do norte de Marrocos foi estimada em 134 mil hectares. Isso representa 10% da área total do país, 27% da área cultivável na região pesquisada e 1,5% do total de terras cultiváveis do Marrocos.
  • Na área de produção da cannabis, 75% das vilas e 96 mil fazendas produziram a substância em 2003. Isso atinge 66% do total de fazendas na região pesquisada e 6,5% das  fazendas no Marrocos.
  • As 96 mil fazendas representaram uma população total de 800 mil pessoas, ou cerca de 2,5% da população total de Marrocos.
  • A produção de cannabis permitiu aos produtores uma lucratividade de aproximadamente US$ 214 milhões em 2003. Isso representa 0,57% do PIB marroquino, estimado em US$ 37,3 bilhões.

Clique aqui para ler a íntegra do relatório.



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