UNODC e prevenção ao abuso de drogas, tratamento e reabilitação
Por quê devemos ter cuidado com a maconha?
Consumo
Aproximadamente 4% de adultos no mundo - cerca de 162 milhões de pessoas - consomem maconha todo o ano, tornando-a a droga ilícita mais usada em todo mundo. Apesar disto, vários fatos sobre a maconha permanecem obscuros.
O Relatório Mundial sobre Drogas do UNODC de 2006, dedica atenção especial para maconha, argumentando que o mundo deveria tomar mais cuidado com a droga, que muitas vezes é tratada como uma erva natural e não-prejudicial. Mas é importante sabermos que a maconha é uma droga ilegal e há certos tipos cada vez mais potentes, que causam mais danos à saúde.
A potência das drogas - e as evidências de sérios riscos à saúde mental relacionados ao consumo de maconha -- podem estar sendo subestimados.
Veja o mapa do consumo global de maconha
Produção
Como a maconha pode crescer praticamente em qualquer país e em diversos ambientes, diferentemente da maioria das outras drogas ilícitas, é difícil estabelecer a origem exata do fornecimento mundial. Pouquíssimos governos podem apresentar uma estimativa exata do número de hectares cultivados em seus próprios países, e a quantidade de maconha produzida nesses campos pode ter uma ampla margem de variação. Além do mais, a maconha cada vez mais é cultivada dentro de países desenvolvidos, o que significa que, usuários podem, e fazem, o cultivo por sua própria conta.
Nosso entendimento sobre o padrão de consumo é um pouco mais elaborado. Na maioria dos mercados a maconha é relativamente barata, e diferentemente de outras drogas, não é vendida pelo peso exato. Pesquisas indicam que a maioria dos usuários consegue a droga de graça, ou compra de amigos ou conhecidos. Pessoas que usam maconha só de vez em quando, o fazem em grupos, usando uma pequena quantidade para produzir o efeito desejado. A maioria dos usuários não consegue ser precisa na hora de quantificar seu consumo de maconha.
Os Diferentes Mercados Globais
A maconha é a droga ilícita dominante em todas regiões do mundo, e seu uso está crescendo em quase todos lugares. Apesar o mercado da cannabis (maconha e haxixe) nem sempre ser transnacional - no sentindo de a produção ser num lugar diferente do consumo - o problema é internacional.
Em termos econômicos, a América do Norte é a maior região consumidora de maconha. O México sozinho é responsável por mais de um terço da apreensão de maconha global. Apesar de uma campanha de erradicação agressiva, o México continua a suprir grande parte do gigantesco mercado da América do Norte. O elevado potencial de THC da maconha produzida em estufa domina o mercado canadense, que é uma outra fonte de importação dos Estados Unidos.
A África é o segundo continente no mundo em termos de apreensão de maconha, apesar limitada capacidade das forças policiais do continente. A África também abriga o maior produtor de resina de maconha (haxixe) do mundo: o Marrocos. Tanto o Sul, o Oeste e Leste africano, possuem grandes países produtores de maconha. Mas há poucos dados disponíveis sobre a escalada dessa produção.
É difícil conciliar o que se sabe sobre a produção de maconha na América Central e do Sul, com as informações disponíveis sobre o consumo de maconha na região. Apesar de os relatórios indicarem uma população relativamente pequena de usuários, há com freqüência grandes apreensões de maconha. Além disso, com exceção da Colômbia, nenhum país é conhecido por ser um grande exportador, fora da região. De acordo com as pesquisas, o Paraguai pode ser considerado o maior fornecedor de maconha para o Cone Sul e Brasil.
Enquanto a maioria da Europa prefere a cannabis em resina (haxixe) à maconha, isto parece estar mudando em muitos mercados importantes. A Holanda, que esteve à frente da revolução na produção de maconha em estufas ou lugares fechados, é mencionada como um importante fornecedor a pelo menos 20 outros países. Na Europa Oriental, a Albânia possui um papel similar ao da Holanda. De qualquer forma, a maioria parte da resina de maconha na Europa continua a ser importada do Marrocos.
Os níveis de uso per capita na Ásia são baixos, mas por conta da gigantesca população, o continente é o maior em números absolutos de usuários de maconha, cerca 30% do uso mundial. Um relatório nacional mostra que só na Índia, 2.3 milhões de pessoas são dependentes de maconha. A Ásia Central abriga os maiores campos de maconha, mas ainda permanece incerta a extensão dessas colheitas.
Crescimento Potencial e Implicações da Saúde Mental
Nos últimos anos, a potência da maconha sinsemilla (sem sementes, em espanhol), que é feita da botão não fertilizado da planta fêmea, dobrou. Isso de acordo com estudos feitos em importantes mercados, como Holanda, Estados Unidos e Canadá. Não é surpreendente o quanto os criadores de maconha, nesses países, tem trabalhado duro na criação de uma droga mais potente desde os anos 70. E apesar de a vertente sinsemilla não ser ainda tão populares como a maconha tradicional e a resina (haxixe), o mercado para essa versão da cannabis, de alta potência, produzida em estufas ou lugares fechados tem crescido de maneira extremante rápida.
Estudos recentes indicam que o consumo de maconha pode ter implicações mais graves à saúde mental do que se acreditava anteriormente. As duas tendências podem estar relacionadas: à medida a maconha de alta potência se torna cada vez mais popular, os riscos do seu consumo se tornam mais imediatos.
São necessários mais estudos para determinar o impacto desta "nova" versão da cannabis. Mas é certo que houve um aumento no número de pessoas que se queixam de "efeitos inesperados" pelo consumo de maconha em salas de emergência nos Estados Unidos. A demanda pelo tratamento de problemas relacionados à maconha nos Estados Unidos e Europa também aumentou.
Finalmente, o risco de se tornar dependente da maconha, é maior do que a maioria dos usuários causal suspeita. Cerca de 9% dos que experimentam maconha são incapazes de parar de usá-la. Mesmo quando consumida apenas uma vez, a maconha pode produzir ataques de pânico, paranóia, sintomas psicóticos e outros sérios efeitos negativos. A droga pode também precipitar a psicose em pessoas propícias a tal mal, e agravar sintomas em esquizofrênicos.
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