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NOTA PARA A IMPRENSA
Cultivo do ópio afegão cai pela primeira vez desde 2001
Brasília, 23 de setembro de 2005 - No último ano, o cultivo de ópio no Afeganistão caiu 21%, e a receita derivada do narcotráfico foi reduzida em 3,4%. Nesse mesmo período, a produção nacional de ópio - matéria prima da heroína - no país caiu 2,4% (de 4.200 toneladas em 2005 para 4.100 toneladas em 2005), fazendo com que a participação da "narco-economia" no PIB afegão diminuísse de 67% para 52%. Esses dados constam de pesquisa sobre a produção de ópio no Afeganistão realizada pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) e que será publicada nos próximos dias.
A queda na produção do ópio e na lucratividade dos produtores não era registrada desde 2001, quando terminou o regime imposto ao Afeganistão pela milícia religiosa Taleban. Os talebãs assumiram o poder em 1996, implementaram um regime fundamentalista condescendente com o tráfico de drogas e o terrorismo e foram depostos por uma intervenção militar de países ocidentais aliados.
De acordo com o relatório do UNODC, a área de cultivo do ópio no Afeganistão foi reduzido de 131 mil hectares para 104 mil hectares, entre 2004 e 2005. Nesse mesmo período, a economia legal do país apresentou um crescimento de 10,4%. "Essas são as melhores notícias sobre drogas desde a queda do regime Talebã", afirmou o Diretor Executivo do UNODC, Antonio Maria Costa, em Moscou, durante reunião com autoridades russas para o controle de drogas.
"O relatório mostra que a abordagem
'morde-e-assopra' funciona. O medo de ter seus cultivos de ópio erradicados compulsoriamente torna a atividade mais arriscada para os fazendeiros. Ao mesmo tempo, programas de geração de renda alternativa dão a eles a oportunidade de se envolver em atividades legais, o que reduz o tamanho da narco-economia", afirmou Costa. Para ele, os números do relatório não consolidam uma tendência, mas mostram que as políticas adotadas no Afeganistão estão funcionando.
Produção em alta - Apesar da queda na área de cultivo, a produção do ópio não foi afetada. A abundância de chuvas na região propiciou um aumento de 22% na produtividade das plantações de ópio, conforme demonstra o relatório do UNODC. Em 2004, cada hectare produziu 32 quilos de ópio. Em 2005, essa produção chegou a 39 quilos por hectare. Com isso, o Afeganistão continua sendo o maior fornecedor de ópio no mundo (cerca de 87% do total).
"Não podemos controlar a natureza, e o que realmente conta é a produção final, e não a área de cultivo", reconhece o Diretor Executivo do UNODC, que ressaltou a importância de uma ação continuada no Afeganistão. "É na Europa que está o principal mercado para a heroína afegã, e estamos solicitando aos países europeus um maior engajamento com o Afeganistão", afirmou Costa.
Corrupção - O relatório do UNODC registra alterações desiguais no cultivo de ópio entre as províncias do Afeganistão e sugere que isso está relacionado à prática de corrupção por parte de algumas lideranças regionais. Esse declínio diferenciado mostra que alguns governadores provinciais continuam mantendo ligações com o narcotráfico. "Como explicar o colapso da produção na província de Nangarhar (96%) e o incrível aumento em outras províncias, como Balk (334%) e Farah (348%)? A corrupção é o curinga desse jogo, e temos que retirá-la da mesa", afirmou Costa, lembrando que as Nações Unidas defendem a remoção de governos corruptos das províncias do Afeganistão.
O relatório mostra também que as plantações de ópio migraram das regiões centrais e orientais para o norte e oeste do Afeganistão, onde existe uma maior concentração de forças da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Sendo assim, o Diretor Executivo do UNODC fez um apelo para que a OTAN se envolva mais diretamente nas operações de combate ao narcotráfico no país.
Efeitos econômicos - De acordo com o documento, os declínios mais significativos no cultivo de ópio ocorreram nas províncias que mais receberam apoio financeiro para programas de geração de renda alternativa a essa atividade. "A assistência aos fazendeiros é necessária até que a economia legal se transforme no motor do crescimento no Afeganistão", afirmou Costa. Para o período 2005/2006, estão previstos US$ 490 milhões em programas de geração de renda alternativa, em recursos do Banco Mundial, Estados Unidos, Comunidade Européia e Reino Unido.
Em relação à renda gerada pelo plantio do ópio e pelo tráfico desse produto e da heroína, o relatório mostra que os fazendeiros afegãos obtêm cerca de US$ 560 milhões, enquanto que os traficantes ficam com US$ 2,1 bilhões. Para o Diretor Executivo do UNODC, isso mostra que medidas duras devem ser tomadas contra o tráfico de ópio e heroína. "Chegou a hora de cortar o cordão umbilical entre os traficantes e os fazendeiros. É preciso prender os barões da droga, destruir seus laboratórios e deter seus comboios. Os fazendeiros não saberão o que fazer com o ópio, os preços cairão e o plantio de grãos e frutas se tornará atrativo".
Objetivos e perspectivas - Para o curto e médio prazo, o UNODC e o governo do Afeganistão focarão suas ações em diferentes áreas, como a erradicação de plantações de ópio, julgamento de traficantes e combate à corrupção. Os próximos passos envolvem o afastamento de governadores e funcionários públicos corruptos, assim como de parlamentares ligados ao narcotráfico. Também se prevê uma política de "tolerância zero" em relação às milícias e aos líderes tribais envolvidos com drogas, a extradição de grandes traficantes e o envolvimento cada vez mais de comunidades rurais com cultivos legais.
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