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NOTA PARA A IMPRENSA
Brasil lidera consumo mundial de anorexígenos, diz JIFE
Junta também defende nova abordagem para o desenvolvimento alternativo
Brasília, 03 de março de 2006 - Relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE) divulgado hoje revela que o Brasil lidera o ranking mundial de consumo de anorexígenos (anfetaminas controladoras do apetite) e integra novas rotas do tráfico de cocaína para a África e a Oceania. O documento também reconhece as ações de inteligência da Polícia Federal no combate ao narcotráfico e o apoio dado pelo Brasil à erradicação das plantações de maconha no Paraguai, país que exporta 90% da droga produzida em seu território.
O relatório anual da JIFE foi divulgado no Palácio do Planalto, com a presença do professor Elisaldo Carlini, integrante da Junta e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), do representante do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) para o Brasil e Cone Sul, Giovanni Quaglia, e do secretário nacional antidrogas, Paulo Roberto Uchôa.
Carlini cobrou das autoridades brasileiras um maior controle sobre o uso dos moderadores de apetite e disse que o uso desses medicamentos no país está acontecendo de modo "irresponsável". O secretário nacional antidrogas afirmou que a questão está sendo analisada com cuidado pelo governo brasileiro, e que medidas de controle serão anunciadas por diferentes instâncias governamentais. Para o professor Carlini, também é necessário que os profissionais médicos e farmacêuticos sejam mais cautelosos na administração desses medicamentos, que podem ter conseqüências negativas para a saúde caso sejam consumidos indiscriminadamente.
De acordo com o relatório, no período entre 2002 e 2004, o Brasil registrou um consumo diário de 9,1 doses de anorexígenos por grupo de mil habitantes, superando o consumo de países como Estados Unidos, Estados Unidos (7,7 doses diárias por mil habitantes), Argentina (6,7 doses diárias por mil habitantes) e Coréia do Sul e Cingapura (ambos com 6,4 doses diárias por mil habitantes).
Desenvolvimento alternativo - O relatório da JIFE, que neste ano tem como tema as novas abordagens do desenvolvimento alternativo, afirma que a comunidade internacional deve repensar sua abordagem em relação a esses programas para que eles funcionem melhor como mecanismos de controle internacional de drogas. Ao apresentar o tema do relatório, o representante do UNODC, Giovanni Quaglia reconheceu que a abordagem clássica do desenvolvimento alternativo contribuiu para a redução de plantios ilícitos, como folha de coca e papoula do ópio, o relatório analisa os pontos fracos dessa estratégia. E sugeriu que ela seja estendida para áreas urbanas, incorpore o tratamento da dependência química e a prevenção ao HIV/AIDS e seja incluída em projetos de redução da pobreza.
Para Quaglia, as ações repressivas voltadas para eliminar plantios ilícitos devem também contribuir para a construção de laços de confiança entre a população, as forças policiais e as demais autoridades. Dessa forma, os governos devem garantir que as forças policiais sejam treinadas sobre os princípios do desenvolvimento alternativo.
Novas rotas - Ao analisar a situação da produção, do tráfico e do consumo de drogas em todo o mundo, o relatório da JIFE revela que carregamentos de cocaína apreendidos recentemente na África e na Nova Zelândia foram embarcados no Brasil. O relatório confirma que o Brasil não é um país produtor da droga, mas continua sendo profundamente afetado pelo tráfico dessa substância. O relatório da JIFE lembra também que os esforços de combate à corrupção nos países da América do Sul podem afetar o enfrentamento do narcotráfico na região, mas não especifica em quais países essa situação tem mais probabilidades de acontecer.
Para ler a íntegra do Relatório Anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes em inglês, espanhol e francês visite
http://www.incb.org/incb/index.html,
http://www.incb.org/incb/es/index.html e
http://www.incb.org/incb/fr/index.html, respectivamente.
Leia também as Notas para a Imprensa abaixo, em português:
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