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NOTA PARA A IMPRENSA



Cultivo de coca na região dos Andes fica estável, mas produtores precisam de métodos alternativos de sobrevivência

BOGOTÁ, 20 de Junho de  2006 (UNODC) -  O cultivo de coca na Colômbia, no Peru e na Bolívia ficou estável em 2005, mas os países andinos precisam de muita ajuda internacional para que os recentes ganhos com  a erradicação da coca sejam mantidos. É o que revela a Pesquisa da Coca Andina de 2005, do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC).

O cultivo de coca na região, que cobre quase toda a produção mundial, cresceu 1% desde 2004 e hoje ocupa  uma área de quase 160 mil hectares. Houve um aumento de 8% no cultivo da Colômbia, enquanto o cultivo de coca na Bolívia e no Peru caiu 8 e 4% respectivamente. A produção mundial de cocaína em 2005 caiu 3% e ficou em 910 toneladas.

"O controle na região andina é frágil", alertou o Diretor Executivo do UNODC, Antonio Maria Costa, que apresentou a Pesquisa na capital colombiana. "Os governos tentam manter os resultados importantes de redução - que foram feitos nos últimos cinco anos. De maneira geral, os números ainda estão abaixo do que estavam no ápice, em 2000. Mesmo assim, é imprescindível a ajuda internacional para ajudar a desenvolver métodos alternativos para o sustento dos produtores".

A assistência oferecida para afastar os produtores de coca tem sido eficiente, mas ainda é feita numa escala muito reduzida. "Nossa oferta de ajuda precisa ser multiplicada pelo menos dez vezes para alcançarmos todos os fazendeiros, muito empobrecidos, que precisam do apoio",, disse Costa. "Parece um esforço imenso, mas pode reduzir a pobreza e a oferta de cocaína ao mesmo tempo".

A Colômbia ainda se mantém na posição de maior produtor de coca em 2005, responsável por 54% do cultivo total no mundo. Em segundo lugar está o Peru, com 30% da produção mundial e a Bolívia em terceiro, com 16%. A área de cultivo na Colômbia aumentou em 6 mil hectares e hoje está em 86 mil hectares, depois de quatro anos consecutivos de declínio, apesar do esforço do governo para erradicar as plantações de coca. Os números ainda estão bem abaixo dos 163 mil hectares registrados no ano 2000. Uma nova pesquisa do UNODC e do governo colombiano indica que as plantações de coca estão mais produtivas do que se pensava. A produção estimada para 2005 e 2004 foi calculada já nessa nova base.

"Esses resultados maiores que os esperados podem explicar porque o preço e a pureza da cocaína se mantiveram constantes nas ruas dos países consumidores. Isso apesar da redução generalizada da oferta mundial e do aumento gigantesco nas apreensões de cocaína.", disse Costa. As apreensões mundiais cresceram 18% e fecharam  2004 em 588 toneladas, a quantidade mais alta já registrada. Pelo terceiro ano consecutivo, a Colômbia está no topo desse ranking de apreensões.

O Diretor Executivo do UNODC disse que o recorde de apreensões de cocaína mostrou que a cooperação internacional, especialmente no reforço das leis, está melhorando. "A mesma eficiência e entusiasmo são necessários para lidar com a corrupção e com o crime organizado para recuperar os bilhões de dólares gerados pelo narcotráfico. É dinheiro que torna cartéis poderosos, financia a insurgência e até o terrorismo",disse. Antonio Maria Costa também mostrou preocupação sobre a crescente demanda por cocaína na Europa. "A Europa ainda ignora os perigos dessa tendência. O Ocidente precisa moderar o apetite por cocaína ou preparar-se para o aumento de problemas sociais, de saúde e de crime", acrescentou.

Pesquisa da Coca Andina  2005 - Executive Summary (PDF em inglês)

Pesquisa completa   veja aqui  (PDF em  inglês)



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