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Assessoria de Comunicação


Novo relatório do UNDOC revela preocupante aumento na produção de ópio de Myanmar

Restante do Sudeste Asiático está praticamente livre do ópio

Brasília, 18 de outubro - O triângulo dourado - formado por Laos, Mianmar e Tailândia - não é mais um grande distribuidor mundial de ópio. Mas os bons resultados alcançados nas últimas décadas correm sério risco. A produção de Mianmar está voltando a crescer, segundo o relatório do cultivo de ópio no Sudeste Asiático, lançado recentemente pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC). Os dados mostram que em 2007 o cultivo do ópio aumentou 29% de 21.500 para 27,700 hectares.

Nas últimas décadas, houve um esforço conjunto para erradicar o ópio na região. No momento, o Sudeste Asiático produz apenas 5% de ópio, a droga mais letal do mundo. O resto da droga vem do Afeganistão. A Tailândia está livre do ópio há quase vinte anos. O Laos cortou a produção de ópio em 94% em menos de uma década. Mianmar, que faz parte do mercado global de ópio, teve um queda na produção de 63% para 6% entre 1998 e 2006.

O novo relatório do UNODC mostra que esse o padrão decrescente está ameaçado pelo alarmante aumento da produção de ópio em Mianmar. A produção aumentou 46% com o resultado de grandes colheitas. Esses aumentos se tornam aparentemente menos significantes diante do gigantesco aumento na produção e cultivo do ópio no Afeganistão. Mas o fato é que Mianmar é, indiscutivelmente, o segundo maior produtor mundial de ópio (460 toneladas).

"Ao longo dos últimos anos, Mianmar foi desbancada do mercado do ópio por maiores cultivos e colheitas no Afeganistão o que promoveu uma queda na produção", disse Antonio Maria Costa, Diretor Executivo do UNODC. "Mas o grande aumento na quantidade de ópio cultivado em Mianmar em 2007 é alarmante e enfraquece os esforços de um Sudeste Asiático livre do ópio", acrescentou Costa.

Ele chamou a atenção para três significantes pontos de desenvolvimento na economia das drogas de Mianmar.

O primeiro é que, historicamente, o ópio foi cultivado ao redor da fronteira oeste de Mianmar com a China, Laos e Tailândia. Agora a produção está agora concentrada nos estados do Sul e do Oeste que são responsáveis por 90 % do ópio no país. "Parece haver fatores nessa parte de Mianmar que contribuem com o tráfico de drogas, como corrupção, altos níveis de conluio, e segurança debilitada nas fronteiras. Com isso, muita gente poderosa está lucrando", disse Costa.

Segundo, a redução no cultivo do ópio tem sido compensada por uma produção mais lucrativa de metanfetamina.

Terceiro, e como resultado dos pontos anteriores, a distribuição de renda das drogas mudou de fazendeiros pobres (produtores de ópio) para grupos criminosos e organizados (produtores de droga sintética). "A economia das drogas em Mianmar evoluiu, para aumentar o lucro", advertiu o Sr. Costa.

Costa pediu que a comunidade internacional se engaje para conter o aumento na produção.

"É preciso mais pressão contra aqueles que estão lucrando com o tráfico de drogas", disse Costa. Ele advertiu que a negligencia, a cobiça e a corrupção permitem que o tráfico de drogas em Mianmar abasteça o crime, a instabilidade, o vício e o HIV". Peço que os governos de Myanmar e a comunidade internacional ajudem a controlar o fluxo de precursores químicos (necessários para produzir heroína e metanfetaminas), o combate ao tráfico de drogas, e a redução na demanda das drogas", disse Costa. Ele também chamou a atenção dos países que integram o chamado "triângulo dourado" a tratarem o problema das drogas sintéticas com a mesma determinação que os fizeram frear o cultivo do ópio.

O Diretor do UNODC pediu mais apoio no desenvolvimento rural das regiões que não possuem condições de se manterem sem a renda do cultivo de ópio. Nos últimos anos, alguns dos maiores progressos na erradicação do ópio vieram da região de Wa, uma das comunidades rurais mais pobres do mundo.

Ele também pediu mais centros de tratamento de dependência química em regiões produtoras de ópio, pois há comunidades rurais com gravíssimo nível dependência de ópio.

Veja o relatório completo (arquivo PDF em inglês)

 

Mais informações:

Carolina Gomma de Azevedo ( Carolina.Azevedo@unodc.org)

Assessora de Comunicação

Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime-UNODC

Telefone: +55 61 3204-7206  / Cel: +55 61 8143 4654

www.unodc.org.br



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