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Assessoria de Comunicação
"Tráfico de cocaína ameaça estabilidade e desenvolvimento do Oeste da África"
Em discurso no Conselho de Segurança da ONU, Diretor Executivo do UNODC alerta sobre perigos da cocaína consumida pela Europa e que devasta a África
Viena, 14 de dezembro - Os países mais vulneráveis do Oeste da África se tornaram um ponto importante nas rotas do tráfico de cocaína que vem da região Andina para os consumidores europeus. O tráfico ameaça desestabilizar alguns dos países mais pobres no mundo. Só em Guiné Bissau, o valor do comércio ilegal de drogas já é maior que todo o PIB do país.
Em discurso no Conselho de Segurança no dia 12 de dezembro, o Diretor Executivo do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), Antonio Maria Costa, disse que "Guiné Bissau perdeu controle sobre seu território e não consegue administrar seu sistema de justiça". Polícia e Justiça estão desgastadas e mal equipadas para lidar com a ameaça imposta por grupos criminosos estrangeiros unidos a poderosos chefes do crime local.
O rastro da rota do tráfico
O relatório recente do UNODC, intitulado Tráfico de Cocaína no Oeste Africano: a ameaça à estabilidade e ao desenvolvimento revela que, desde 2005, cerca de 33 toneladas foram apreendidas no Oeste do continente africano. E isso seria só a ponta do iceberg. O UNODC estima que neste ano cerca de 40 toneladas de cocaína foram traficadas à Europa via Oeste africano. Um quarto de toda a cocaína consumida na Europa chega ao continente via África, por um valor estimado em U$ 1.8 bilhões de dólares (no Oeste Africano), chegando ao consumidor europeu com um valor de revenda até 10 vezes superior.
Em recente visita à Guiné-Bissau, Costa disse que "o dinheiro das drogas está corrompendo a economia e apodrecendo a sociedade. Com ameaças e propinas, os traficantes infiltram nas estruturas estatais e operam impunemente."
Um chamado para a comunidade internacional
Para Costa, a ajuda externa é crucial para o desenvolvimento e redução da vulnerabilidade do país em relação ao crime e às drogas. Costa pediu assistência imediata para evitar o colapso de Guiné-Bissau. Em parceria com o UNODC, o governo de Guiné-Bissau elaborou uma operação para combater o tráfico de drogas na região. O governo precisa de apoio financeiro de U$ 19 milhões para capacitar agentes, adquirir equipamentos e realizar treinamentos para patrulhar fronteiras, combater o tráfico, extinguir a lavagem de dinheiro e aprisionar os traficantes. O governo também requer uma unidade especial da Polícia e medidas urgentes para fortalecer a Justiça Criminal. Costa informou os membros do Conselho de Segurança que "poucas medidas básicas, como o financiamento do serviço de inteligência, uma agência anticorrupção e prisões podem fazer grandes diferenças no país". O UNODC irá buscar apoio para a operação conjunta na conferência em Lisboa, no dia 19 de dezembro.
Leia o relatório completo (
arquivo PDF em inglês)
Em abril de 2007, funcionários do UNODC e o embaixador da boa vontade, o fotógrafo Alessandro Scotti, testemunharam a apreensão de mais de 600 quilos de cocaína traficada via Guiné-Bissau.
Veja o
slide show com a entrevista (em inglês) do chefe da seção antitráfico do UNODC, Brian Taylor.
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