Prevenção às drogas no ambiente de trabalho e na família

Parceiro: Serviço Social da Indústria (SESI) do Rio Grande do Sul e mais de 100 empresas no país
Objetivo
Reduzir o uso de drogas lícitas e ilícitas entre 24 mil trabalhadores de 30 empresas do Rio Grande do Sul, envolvendo seus familiares e a comunidade, e com isso melhorar a qualidade de vida dos beneficiados e a produtividade das empresas envolvidas.
Metodologia
O projeto teve como ponto de partida um modelo de prevenção às drogas no ambiente de trabalho adotado e testado por agências do Sistema ONU (UNODC, OIT - Organização Internacional do Trabalho - e OMS - Organização Mundial da Saúde) na América Latina, Europa, África e Ásia. O modelo foi adaptado à realidade e à cultura das empresas gaúchas envolvidas, permitindo um aprimoramento da metodologia original.
A valorização de hábitos saudáveis e a promoção da melhoria da qualidade de vida são as principais ferramentas do projeto. A cultura preventiva depende da mudança de hábitos de vida, o que só o apoio da família, do círculo de amizade e das pessoas envolvidas no ambiente de trabalho pode proporcionar.
Para auxiliar a empresa, o projeto sugere alguns passos que preparam o terreno à aceitação dos funcionários e que, pela experiência acumulada por profissionais das instituições envolvidas, tornam a implantação mais eficiente.
Inicialmente, a empresa deve destacar três grupos responsáveis pela implementação, que receberam treinamento do SESI. O primeiro grupo é o Comitê Coordenador, que reúne pessoas com capacidade de liderança e com a responsabilidade de organizar as atividades. As hierarquias de funcionamento da empresa não devem ser transportadas para o Comitê Coordenador. O objetivo é democratizar os canais de acesso a informações e envolver efetivamente todas as camadas de trabalhadores.
O segundo grupo, chamado de Comitê Reabilitador, é formado por profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. Esse grupo deve atender àqueles que já apresentam problemas mais sérios derivados do consumo de drogas. Para as empresas de menor porte, que normalmente não têm um corpo de profissionais de saúde constituído, cria-se o Comitê Orientador em substituição ao Reabilitador. O grupo dos orientadores deve ser formado por pessoas reconhecidamente carismáticas e respeitadas diante de seus colegas.
O terceiro grupo importante no projeto é constituído pelo corpo de gestores e líderes, que passam a ser capacitados para identificar possíveis problemas com o consumo de substâncias psicoativas, detectáveis por meio de indicadores de desempenho, como faltas, atrasos ou acidentes de trabalho. Uma habilidade importante a ser desenvolvida com o pessoal de âmbito gerencial é a forma de abordagem do trabalhador, de modo a evitar conflitos e o eventual agravamento da situação.
A efetiva implantação, após uma assinatura de termo de compromisso por parte da empresa, começa com uma avaliação para que se identifique o nível de consumo de drogas nos quadros funcionais, e as crenças e atitudes do público-alvo diante do problema.
Cores da prevenção - Essa avaliação identifica três grupos distintos de trabalhadores, seguindo o padrão de cores dos sinais de trânsito, reconhecidos universalmente e de fácil assimilação visual: verde, amarelo ou vermelho.
Integram o grupo verde os que consomem pouca ou nenhuma bebida alcoólica, não têm o hábito do tabaco e não utilizam nenhuma substância ilícita. O objetivo é levar todo o quadro funcional ao grupo verde, que representa a faixa de melhor qualidade de vida. No grupo amarelo o consumo é maior: os usuários fazem consumo eventual de substâncias psicoativas e muitas vezes não consideram essa atitude problemática. Por fim, há os trabalhadores classificados dentro do grupo vermelho. São pessoas que apresentam alterações de comportamento e problemas de saúde e de relacionamento, dentro ou fora do ambiente de trabalho, motivados pelo consumo de drogas.
É importante salientar que é garantido o anonimato dos trabalhadores de cada grupo, impedido que as diferentes classificações gerem discriminação no ambiente de trabalho. As atividades da área verde são abertas a todos. Trabalhos mais específicos com os grupos amarelo e vermelho são desenvolvidos com total garantia de privacidade.
O projeto é deflagrado com a criação de um slogan e a adoção de uma mascote, de forma a criar empatia com o público-alvo. A linguagem coloquial, com jargões próprios da atividade e regionalismos, deve ser amplamente empregada.
A programação proposta de atividades e palestras tem o objetivo de transmitir de forma clara informações sobre as drogas e seus efeitos adversos, ao mesmo tempo em que oferece atividades descontraídas, saudáveis e prazerosas para o trabalhador e sua família. As práticas esportivas e culturais são as mais indicadas. A idéia é que a participação de pessoas consideradas pertencentes ao grupo verde incentive mudanças de padrões e atitudes dos que estão nas outras faixas.
O projeto segue um modelo desenvolvido pelo SESI-RS e pelas Nações Unidas, mas está fundamentado na participação dos próprios trabalhadores, que devem elaborar as regras a serem adotadas e participar ativa e democraticamente de todo o processo. Essa atitude visa respeitar a história e a cultura da região onde a empresa está instalada.
Expansão ao Cone Sul - A criação de uma nova metodologia, somada à experiência do SESI-RS no apoio ao trabalhador da indústria e a seus familiares, criou uma sinergia que resultou em ampla aceitação por empresários e trabalhadores gaúchos. Desde 2003, o modelo do programa vem sendo aplicado nos países vizinhos do Cone Sul: Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.
Por se tratar de um projeto piloto, optou-se por implementá-lo em uma única empresa por país, preferencialmente do setor privado e de médio porte (entre 100 e 450 empregados). Foram priorizadas empresas com as seguintes características: atuação em setores econômicos competitivos e com histórico de atividades voltadas à melhoria da qualidade de vida dentro e fora do ambiente de trabalho; escala hierárquica reduzida, com executivos motivados e dispostos a se engajar no projeto; quadro funcional comprometido com resultados e produtividade; detentoras de técnicas gerenciais que privilegiam o trabalho em equipe e a democratização da informação.
As empresas foram escolhidas pelas as agências antidrogas dos seus respectivos países. Em seguida, elas assinaram com o UNODC uma carta de compromisso definindo os aspectos e etapas relacionadas à implementação do projeto. Foram escolhidas as seguintes empresas: Frigorífico Sodecar, na Argentina; Empresa Portuária Valparaiso, no Chile; Administração Nacional de Energia (ANDE), no Paraguai; Curtume Branáa, no Uruguai.
Resultados
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O projeto alcançou todos os seus objetivos e resultados esperados, superando as metas iniciais em relação aos seguintes indicadores:
- Empresas beneficiárias: de 30 para 49;
- Funcionários envolvidos nas ações do projeto: de 24.000 para 54.314;
- Profissionais treinados: de 150 para 2485.
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Avaliação externa realizada em 39 empresas gaúchas que participaram do projeto revela o sucesso dessa iniciativa, que recentemente recebeu o certificado de qualidade ISO 9001. Em relação à qualidade de vida dos colaboradores:
- Houve uma redução de 16% no número de fumantes;
- O uso de álcool caiu 12,5%;
- O consumo de drogas ilícitas sofreu uma queda de 28,7%.
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A produtividade das empresas também aumentou:
- Faltas por motivo de doença ou incapacidade foram reduzidas em 10%;
- Atrasos por parte dos trabalhadores caíram 30%;
- Acidentes de trabalho provocados pelo consumo de drogas lícitas ou ilícitas foram reduzidos em 34%.
- A sustentabilidade do projeto parece garantida, pois o SESI, além de custear 80% do valor total do projeto, produziu conhecimento e desenvolveu tecnologia, que está exportando inclusive para empresas de outros países.
- A sustentabilidade e continuidade do projeto também estão garantidas nas empresas beneficiárias que incorporaram o trabalho preventivo à sua cultura. Em relação ao Brasil, passos importantes já foram dados pelo SESI nacional em direção à implantação do modelo em 19 estados brasileiros.
Entre em Contato
Cíntia Freitas, Coordenadora de Projetos UNODC Brasil e Cone Sul
Carolina Azevedo, Assessora de Comunicação
Tel: +55 61 3204-7206
Carolina.Azevedo@unodc.org
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